O iogurte
Em 2019 eu era caixa de mercado. Uma mulher vinha sempre com cinquenta reais em dinheiro, provavelmente o que ganhava no dia, e comprava o básico. Um dia ela veio com uma criança e, pela primeira vez, tentou levar um iogurte. O dinheiro não deu. A criança não chorou; ficou só muito triste. A mãe, envergonhada, devolveu o iogurte. Ninguém fez nada. Nem eu.
Era só um iogurte, e aquela imagem nunca saiu da minha cabeça. Não faltava esforço àquela mulher. Sobrava um desenho que a prendia ao dinheiro do dia.